terça-feira, 28 de abril de 2015

Peregrinos se preparam para a caminhada à igreja de Nhá Chica em Baependi



Peregrinos de várias partes da cidade e da região se preparam para mais uma caminhada rumo a Baependi. A 17ª Peregrinação à Nhá Chica será, como em todos os anos, no dia do Trabalhador, 1º de maio.
O horário oficial de apoio da prefeitura será a partir das 5h da manhã, ou seja, a partir deste horário haverá água e ambulância durante o trajeto.
Está programada uma missa de acolhida aos peregrinos no Santuário de Nhá Chica, em Baependi, às 10 horas, que será celebrada pelo Pe. Roberto Nogueira da Paróquia São Pedro e São Paulo de São Lourenço.

A peregrinação é feita, anualmente, por milhares de fiéis, que percorrem os 33 Km do percurso pela Estrada Real, passando pelas zonas rurais de São Lourenço, Soledade de Minas, Caxambu e Baependi, onde são disponibilizados pontos de distribuição de água. Em alguns desses pontos, agentes de saúde dão suporte aos caminhantes, medindo a pressão arterial e disponibilizando transporte em ambulância, caso seja necessário. Mas a Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Cultura ressalta que a estrutura só será disponibilizada a partir da 5h, horário oficial do início da peregrinação.


A trilha, nos seus primeiros quilômetros, é um pouco íngreme. Mas, no meio do percurso, o relevo é mais plano. O trecho mais difícil é o dos 8 Km finais, entre Caxambu e Baependi. Embora reta, margeando a antiga estrada férrea, a trilha tem pouquíssimas sombras e é cheia de pedras.


Conheça um pouco da beata Nhá Chica

Filha de uma ex- escrava, Nhá Chica nasceu em Santo Antônio do Rio das Mortes, distrito da cidade de São João Del Rei, localizado a 168 km de Baependi. Analfabeta e de origem humilde, a primeira beata negra da Igreja Católica não tem registro de nascimento. O primeiro documento dela é o do batismo, em 6 de abril de 1810.

“A gente tem notícias da infância e depois da idade adulta de Nhá Chica. Esse lapso de tempo entre a infância e a idade adulta não tem muita notícia”, afirma Yolanda Aparecida Fernandes, voluntária da associação beneficente Nhá Chica.

A história conta que ela mudou-se para Baependi aos oito anos de idade acompanhada da mãe, Isabel Maria, e do irmão, Teotônio Pereira do Amaral, que na época tinha 12 anos. Apenas dois anos após chegar em Baependi, Francisca e o irmão ficaram órfãos.

Para Dom Diamantino, a vontade de Nhá Chica em aprender a palavra do Senhor era tanta, que mesmo não sabendo ler, pedia para que outras pessoas lessem as escrituras:

“Ela não lia, mas gostava de ouvir e sempre pedia a alguém que lesse-lhe as escrituras. Então ela, dessa forma, com a força da palavra de Deus, conseguia também vislumbrar qual a vontade de Deus”, diz Dom Diamantino P. Carvalho , Bispo da Diocese da Campanha- MG.

Foi na Rua Conceição número 165, que Nhá Chica viveu boa parte de sua vida. A casa original, de pau a pique, foi reformada e agora faz parte da associação beneficente Nhá Chica. Dentro do local, estão objetos pessoais e também histórias de pessoas que alcançaram graças por intercessão de Nhá Chica. Hoje, a casa recebe peregrinos e acolhe objetos deixados por fieis que alcançaram graças.
Apenas um milagre foi comprovado pelo Vaticano, mas existem relatos de pelo menos 20 mil bênçãos pela Beata.
Nhá Chica era muito procurada para conselhos e pedidos de oração. Ela atendia pessoas durante a semana em sua casa, e nas sextas feiras, se recolhia apenas para oração:
“Sexta feira, Nhá Chica não atendia pessoas, ela penitenciava e às três horas da tarde, contemplava Jesus na cruz. Ela chamou essa hora (três horas da tarde) de “hora da agonia”. Nós as vezes só lembramos na sexta feira Santa, e ela lembrou por toda sua vida”, destaca Ir. Claudine Ribeiro, Diretora Ass. Beneficente Nhá Chica.
A Beata morreu em 14 de junho de 1895, aos 85 anos de idade e foi enterrada na capela que ela mesma ajudou a construir.

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