quinta-feira, 16 de abril de 2015

Moradores de Baependi mantém hábitos do século XVIII


É quase impossível imaginar que, em meio a toda correria da vida moderna, alguém ainda mantenha hábitos do século 18. Mas, foi isso que constatou um estudo realizado na pequena Baependi, cidade localizada no sul de Minas Gerais e que possui menos de 20 mil habitantes.  
De acordo com a pesquisa, conduzida pelo Incor (Instituto do Coração), órgão da USP (Universidade de São Paulo), em parceria com a Universidade de Surrey, na Inglaterra, a população do município ainda mantém alguns desses costumes em relação ao sono.  
Segundo o médico e coordenador do Incor, Alexandre Pereira, diferentemente dos grandes centros urbanos, a maior parte dos moradores de Baependi dorme e acorda mais cedo se comparado à população de Londres ou São Paulo, comportamento típico de uma era pré-industrial, quando ainda não existia energia elétrica ou televisão. Entretanto, a cidade possui todos esses recursos, inclusive internet.  
— Com o passar dos anos, as pessoas tendem a mudar seu relógio biológico para dormir e acordar mais tarde, acompanhando as transformações demográficas das sociedades modernas. Mas, em Baependi acontece exatamente o contrário: eles continuam tendo a vida muito controlada pelo sol.   
Ainda conforme o pesquisador, esses hábitos de sono podem estar relacionados a fatores externos como, por exemplo, o trabalho da população baependiana, especialmente dos moradores da área rural do município. Neste sentido, o estudo concluiu que 30% a genética determina cerca de 30% da forma como dormimos, enquanto os demais 70% estão relacionados ao ambiente em que vivemos. Além disso, os costumes dentro de uma família também influenciam bastante.  
— Nosso estudo não analisa apenas um indivíduo, mas ele e sua família. Então, pudemos perceber que os horários de se deitar e levantar são comuns à maioria dos membros da família.  
Outra revelação é que, apesar de manterem costumes dos antepassados e viverem em uma cidade relativamente tranquila, os moradores de Baependi que tiveram seu sono monitorado apresentaram um índice de apneia do sono semelhante aos obtidos nas grandes metrópoles. De acordo com Alexandre Pereira, 20% da população foi diagnosticada com o problema e a média nacional fica entre 20% e 30%.  
Ele explica ainda que o estudo com a população Baependi teve início há dez anos com uma pesquisa sobre fatores de risco para o desenvolvimento de problemas cardíacos. Mas, a partir de então, os pesquisadores do Incor desenvolveram outras pesquisas com a população da cidade e montaram uma estrutura no município para acompanhar a vida de cerca de 3.000 pessoas.  
— Agora, vamos tentar ver o quanto essa questão do sono pode estar ou não relacionada aos riscos de desenvolvimento de problemas cardíacos. Ou seja, vamos relacionar um estudo com outro e analisar se a qualidade do sono e seu ciclo biológico tem influência direta na saúde das pessoas.  
População confirma estudo 
Morando atualmente em São Lourenço, também no sul de Minas, o bancário José Manuel Serva de Oliveira, de 60 anos, foi nascido e criado em Baependi e ainda mantém uma casa na cidade. Ele vai para lá todos os finais de semana e confirma alguns dos hábitos observados pelo estudo.  
— Eu me acostumei a acordar cedo desde novo. Então, ainda que seja sábado, domingo ou feriado, às 5h30 eu já estou de pé e quando saio na rua encontro vários amigos meus também já acordados.  
Mas, ele acredita que este seja um hábito comum apenas aos mais velhos e que a população mais jovem tem costumes diferentes.  
— Hoje os jovens acordam é tarde. Mas isso reflete a cultura de hoje, ou seja, eles saem às 23h nos finais de semana, enquanto no meu tempo a gente saia às 18h30 ou 19h para ir ao cinema ou boate. 

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