segunda-feira, 12 de maio de 2014

Nova droga sintética é apreendida pela Policia no Sul de Minas

A Polícia Militar apreendeu novos tipos de drogas sintéticas em Passos (MG) em uma casa do bairro Santa Rita neste domingo (12). Foram apreendidas duas cartelas com 30 unidades da droga conhecida como NBOME 25I e um frasco com outra substância entorpecente conhecida como MD. O material estava na casa de um fotógrafo e a polícia chegou até ele após atender uma ocorrência envolvendo uma agressão após uma briga de namorados.
A droga foi entregue à polícia pela jovem, que chamou a polícia após ser agredida. Ela disse que o namorado e os amigos teriam comprado a droga pela internet para vendê-las em festas da cidade. Além da droga sintética, a polícia ainda encontrou na casa do fotógrafo uma caixa com maconha, embalagens para embalar a droga e ingressos para uma festa.
O fotógrafo disse à polícia que comprou a droga sintética em Maresias (SP) por R$ 1 mil. O homem foi preso e levado para a delegacia.
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Cartela com 30 unidades de nova droga foi apreendida em Passos (Foto: Hélder Almeida)Cartela com 30 unidades de nova droga foi apreendida em Passos (Foto: Hélder Almeida)
Brecha na lei impede que Polícia Federal apreenda novas drogas
O programa "Fantástico", da Rede Globo, mostrou em fevereiro deste ano que novas drogas, muito perigosas, fabricadas em laboratório, estão chegando ao Brasil. Parecem LSD e ecstasy, mas são ainda mais potentes. E o pior: por uma brecha na lei, a venda é livre no país.
A droga conhecida como 25I-Nbome, também chamada de 25I, é parecida com o LSD. Conforme a Polícia Federal, as drogas são sintetizadas na Índia e na China. Elas vêm pela Europa até chegar ao Brasil. Conforme a polícia, Elas são vendidas livremente na internet. Os usuários fazem até avaliações das drogas. O público-alvo são jovens de classe média alta que utilizam esse tipo de droga, que é cara e tem efeito duradouro.
A droga já foi proibida nos Estados Unidos, Reino Unido e Dinamarca. No Brasil, no entanto, a droga não é considerada ilegal. A lista de drogas proibidas é de responsabilidade da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A última atualização foi em 2012.


Cada vez mais existe uma preocupação com casos de overdose, mesmo fatais, atribuídas ao uso de novas substâncias psiquedélicas. Tipicamente a grande mídia busca sensacionalizar novas substâncias, seguindo a linha do discurso de Guerra as Drogas, o qual não permite avaliações críticas, onde se pese os potenciais lados positivos e negativos da maioria dos psicoativos. No Brasil um caso recente, além do crack, é o do inexistente Oxi.
Ainda não presente no debate da mídia nacional, o caso em questão é outro. Trata-se de algumas fenetilamidas (mesmo tipo de substância, p.ex, que a mescalina) como o 25-NCI, 25-NC, todas com o final: NBOMe, também conhecida como N-Bomb e fora do Brasil como Pandora, C-Boom, Cimbi-82 e até pelo afetuoso nome: Dime (ZUBA, SEKULA e BUCZEK, 2012). Trata-se do palavrão químico: [2-(4-chloro-2,5-dimethoxyphenyl)-N-(2-methoxybenzyl)ethanamine]. Os estudos sobre esta substância ainda são escassos e muito do que tem sido divulgado é de base absolutamente empírica, notadamente por usuários. A mídia, não a brasileira, divulgou recentemente a morte de um jovem de 17 anos em Sydney que supostamente consumiu um NBOMe. Em alguns países as substâncias têm sido vendidas pela internet com preços bastante baixos como U$ 1,50 por unidade (CALDICOTT, BRIGHT e BARRATT, 2013). Em países como o Brasil vários usuários com maior conhecimento tem identificado a presença maciça do NBOMe vendidos como LSD, particularmente na forma de blotters.
A ação do 25C-NBOMe resulta do fato dele ser um potente agonista para receptores do neurotransmissor serotonina 2A (5-HT2A), assim como também ocorre com o LSD.
Mais informações podem ser encontradas no site EROWID, embora muito ainda se encontre em plena discussão.

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